CARTA DE LANÇAMENTO DA REDE FLUMINENSE DE NÚCLEOS DE PESQUISA E PESQUISADORAS EM GÊNERO, FEMINISMOS E SEXUALIDADE NAS CIÊNCIAS SOCIAIS

A institucionalização e o desenvolvimento dos estudos de gênero, feminismos e sexualidade, trouxeram positivas e irrefutáveis contribuições à ciência, bem como ao planejamento e elaboração de políticas públicas no Brasil. O conhecimento produzido nestes estudos e pesquisas promoveu avanços cognitivos e políticos que atingiram temas cruciais para o fortalecimento da democracia, valorização da liberdade individual, combate às desigualdades, violência, discriminação e exploração.

A longa trajetória da produção acadêmica feminista e a compreensão de que as  dimensões de gênero e sexualidade se apresentam como uma das mais importantes na organização da vida social, propiciaram inovações em diferentes campos temáticos, assim como em diversas áreas disciplinares. A incorporação de gênero como conceito e categoria analítica em temas como violência, trabalho, saúde, educação, família, religiosidade, migrações etc; assim como as suas contribuições nas ciências sociais, como em tantas outras disciplinas, constituem fortes argumentos a favor da sua repercussão teórica plenamente consolidada.

Em muitas universidades brasileiras, os cursos de formação em ciências sociais se constituíram como espaços fundamentais à produção de saberes sobre gênero e sexualidade, um conhecimento baseado em pressupostos científicos e evidências empíricas. Hoje, porém, compartilhamos a percepção de que vivemos uma conjuntura adversa para as universidades, com a execução de corte de verbas para a pesquisa, além de ameaças, ataques, hostilidades ou perseguições, situação que muitas vezes se estende a seus pesquisadores e pesquisadoras.

Diante de um horizonte que tem se apresentado adverso, núcleos de estudos de universidades públicas do Rio de Janeiro tomaram a iniciativa de organizar, em 2018, um evento que pudesse promover o fortalecimento institucional, a mutualidade, a comunicação entre eles ou ainda contribuir para a criação de novos laboratórios ou núcleos de pesquisa. Também foi comum a percepção de que, institucionalizar espaços acadêmicos – como encontros anuais, redes de pesquisadores e núcleos de pesquisa – seria uma forma de nos fortalecermos mutuamente. Seja pela criação de laços e de conhecimento mútuo, seja pela discussão que a todos enriquece intelectual e politicamente, ou ainda pela construção de um fórum que sirva, futuramente, para dar voz a nossas reivindicações por financiamento, espaço, liberdade de pensamento, expressão e associação para uma área de pesquisa que foca justamente dois dos mais fortes poderes disputados por conservadores e reacionários: as relações de gênero e sexualidade.

Nesse sentido, entendemos que uma REDE capaz de promover intercâmbios e articular ações, poderá fortificar e revigorar núcleos de pesquisa, pesquisadoras e pesquisadores no enfrentamento de desafios que hoje alcançam o campo de estudos de gênero, sexualidade e feminismos. É por isso que estamos hoje aqui reunidos, para lançar a Rede Fluminense de Núcleos de Pesquisa e Pesquisadoras em Gênero, Feminismos e Sexualidade nas Ciências Sociais cuja estrutura, composição, objetivos de comunicação, divulgação acadêmica, avaliação e de defesa política desta área de estudos, serão os principais pontos a serem contemplados na proposta aprovada na assembleia realizada nesta data.


2º Encontro Fluminense de Núcleos de Pesquisa de Gênero, Feminismos e Sexualidade.
Rio de Janeiro, 28 de novembro de 2019


 

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REDE FLUMINENSE DE NÚCLEOS DE PESQUISA DE GÊNERO,SEXUALIDADE E FEMINISMO NAS CIÊNCIAS SOCIAIS.

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